Depois, se descer até à Vila irá descobrir no Largo do Município a Igreja de São Pedro. A origem da sua fundação é desconhecida, embora existam algumas referências documentais que referem o ano de 1320. Pensa-se, no entanto, que a Igreja seja mais antiga. O atual edifício data da 2ª metade do século XVI sendo António Rodrigues, arquiteto de El Rei D. Sebastião, o seu autor. O interior da igreja é composto por três naves com colunas toscanas. Nas paredes, datando do século XVIII, existe um conjunto de notáveis azulejos historiados com cenas da vida de São Pedro. Na capela-mor, também revestida com azulejos, existe um bom conjunto de telas setecentistas. A campanha de obras do reinado de D João V foi motivada pela destruição do interior da igreja, devido ao incêndio do dia 17 de Abril de 1713. Também o terramoto de 1755 destruiu a fachada principal, tendo-se a sua reconstrução sido prolongada até finais do século XVIII.

 

O edifício dos Paços do Concelho, ali bem ao lado da Igreja de São Pedro, é outro dos monumentos de destaque situados no largo. Presumivelmente datado do século XVII, sofreu ao longo dos anos várias intervenções.

 

O Salão Nobre serviu como tribunal no século XVIII e, poucos anos após o terramoto de 1755, julga-se que aí funcionaram o Tribunal, a Câmara, o Açougue e a Prisão. Entre 1927-28, após a restauração do Concelho, o edifício foi alvo de uma campanha de obras, que o adaptou para a instalação de repartições públicas. Localizado nas imediações dos Paços do Concelho encontramos o Pelourinho, construído primeiramente em 1645, que simboliza a justiça local que muitas vezes aí era ministrada. A revolução liberal considerou os pelourinhos como um símbolo de opressão e muitos foram destruídos, não tendo escapado o de Palmela.

 

O monumento atual foi depois reconstruído em Fevereiro de 1907 e está atualmente classificado como monumento nacional. No mesmo largo podemos encontrar a Igreja da Misericórdia, edifício setecentista de uma só nave com azulejos do século XVII. Ao lado da Igreja encontra-se o antigo Hospital do Espírito Santo, integrado na Misericórdia e provavelmente seu antecedente, cujo atual edifício data do século XVIII. De seguida, inicie a descida por entre casario típico caiado e com varandas e lanternas de ferro. Este é o coração da vila, com vielas entrecortadas por escadarias. Passando pelo Largo do Mercado Municipal vire na Rua do Passadiço com uma buganvília enrolada no arco que atravessa a rua. Prossiga pela Rua Contra Almirante Jaime Afreixo e pelo Largo Marquês de Pombal com um chafariz ao centro. Continuando a descer as ruas com o casario típico, que foi crescendo acompanhando a morfologia do terreno, chegamos ao Chafariz D Maria I, construção do século XVIII com as armas desta Rainha ladeadas pelas antigas armas de Palmela.

 

A Vila de Palmela não é amuralhada, sendo apenas o Castelo o seu local de proteção. Mas não é por este facto que não existem «entradas» no burgo. Assim, o Chafariz D. Maria – denominado desta forma por ter sido construído sob a sua proteção e patrocínio –, é a uma verdadeira "porta grande" e símbolo de Palmela. O atual chafariz, construído em 1792 a pedido de governantes locais, nobreza e povo veio substituir um outro, mais modesto e arruinado, mandado fazer em meados do século XVI por D. Jorge de Lencastre. Inicie a subida pelo íngreme Jardim Joaquim José Carvalho – uma das personagens de maior relevo na restauração do concelho – e descanse no Largo São João. Aqui poderá ver a Capela de S. João Baptista, datada do século XVII, e o Coreto da Sociedade Filarmónica Humanitária, da autoria de Salvador Augusto Camolas, construído em 1924 e que apresenta uma decoração típica da época.

 

Numa das ruas transversais ao Largo São João, mais precisamente na Rua General Amílcar Mota, aprecie um conjunto de casas de habitação de inícios do século XX que apresentam fachadas de notável plasticidade e decoração, com revestimentos exteriores de painéis de azulejos nos coroamentos e paramentos em ladrilho cerâmico vidrado. De volta ao Largo, visite o Cineteatro São João, um dos ex-libris de Palmela, inaugurado em 26 de Julho de 1952 com o filme "As aventuras de D. Juan" e a revista alemã "Que pernas ela tem". Nasceu assim, em Palmela, uma das mais categorizadas casas de espetáculo fora dos grandes centros urbanos, mandada construir por Humberto da Silva Cardoso para "engrandecimento de Palmela". O arquiteto Wily Braun, o engenheiro Pedro Cavalleri Martinho e António Ventura, encarregado da construção, confirmaram os seus méritos profissionais, dando corpo a um edifício harmonioso, sóbrio, com amplos espaços interiores, uma sala de espetáculos espaçosa, recheada de pormenores decorativos.

 

Nos dias de hoje tem tido uma dinâmica utilização, quer para espetáculos de teatro e dança, quer para concertos de música e exposições. É, também, neste Largo central da vila que têm lugar alguns dos espaços mais nobres da Festa das Vindimas - o maior certame do concelho. Dedicadas à vinha, ao vinho e a todos os que se dedicam ao cultivo dos campos, estas Festas contam com momentos de grande tradição, como a Eleição da Rainha das Vindimas, a Pisa da Uva e Bênção do 1º Mosto, o Cortejo dos Camponeses ou os Cortejos Alegóricos.

 

A fruta, a gastronomia, os espetáculos, as provas desportivas, a animação, a feira e, claro, os excelentes vinhos da região, completam o leque de propostas. Para terminar esta visita pelo centro histórico de Palmela, visite a Casa Mãe da Rota de Vinhos, aproveitando para apreciar os bons vinhos da região.