Serra do Louro

A Serra do Louro acompanha a Norte e uma distância mais ou menos constante o relevo da Serra de S. Luís, marcando o limite do Parque Natural da Arrábida. As costeiras da Serra do Louro foram consideradas de valor relevante-excecional e constituem um dos exemplos mais perfeitos de costeiras em Portugal; são um excecional caso de relevo em costeiras assimétricas, apresentando a melhor sequência estratigráfica cenozóica de todo o PNA e possui níveis especialmente ricos.

Com cerca de 6 quilómetros e uma altitude mais ou menos regular entre os 200 e 230 metros, a serra do Louro é constituída por enrugamento do maciço da Arrábida ocorrido na orogenia alpina tardia (movimentos da crusta terrestre) há cerca de 12 a 10 milhões de anos. Composta por calcários margosos, grés e arenitos do período Miocénico (22 a 18 milhões de anos), onde abundam fósseis de animais marinhos. Daqui é possível avistar quase toda a região da Arrábida e o Rio Sado bem como, para Norte, a extensa Península de Setúbal, o Rio Tejo e a Costa de Lisboa.



Alto da Queimada

É o ponto mais alto da Serra do Louro com uma altitude de 224 metros, assinalado com um marco geodésico. Esta sinalização tem diversas aplicações práticas, sendo a mais comum os trabalhos de geodesia e de topografia. A rocha a nascente do marco apresenta vários sulcos, onde provavelmente estaria instalada uma zona de vigia. Na vertente subjacente a este local, de fácil acesso, encontra-se um espetacular banco de ostras fossilizadas de génese idêntica à dos corais já referidos.

A jazida arqueológica Alto da Queimada era uma alcaria rural islâmica, e fica pouco metros do arqueosítio de Chibanes. As investigações arqueológicas deram a conhecer vestígios de ocupações anteriores (períodos tardo-romano, visigótico e emiral), reconhecendo-se uma continuidade de ocupação do povoado atribuível à grande fertilidade da região, às boas condições de localização e defesa, aos abundantes recursos cinegéticos e à biodiversidade existente. A área foi explorada por uma população que, em época islâmica, construiu, organizou e habitou a alcaria até inícios do século XI, praticando uma economia de regime agro-pastoril, evidenciada pela recolha de diversos instrumentos e utensílios (mós, relha de arado), conjugados com outras evidências que documentam a prática de atividades complementares, como a pesca, a tecelagem e a criação e pastagem de gado ovino-caprino. A alcaria mantinha ligações culturais e dependência fiscal com o Castelo de Palmela (Hisn).



Castro de Chibanes

O sítio fortificado de Chibanes foi identificado nos inícios do século XX, por A. Ignácio Marques da Costa; localiza-se na Serra do Louro, em pleno Parque natural da Arrábida, com extenso domínio visual, que atinge, para norte, o sistema estuarino do Tejo e, a sul, o rio Sado.
A superfície amuralhada durante a Pré e a Proto-história estima-se em cerca de 1 ha. A ocupação mais antiga data do Calcolítico e perdura até Bronze antigo, entre 5000 e 3700 anos antes do Presente, momento em foi edificada a primitiva muralha reforçada por bastiões semicirculares. A análise dos dados obtidos ao longo das diversas escavações efetuadas no arqueosítio permitiram aferir que o espaço foi abandonado no final do Horizonte Campaniforme (Bronze antigo), sendo reocupado, na II Idade do Ferro (sécs. III-II a. C.), fase em que a muralha é reestruturada, mantendo a sua tendência em arco de círculo, guarnecida com torres circulares. Simultaneamente também o espaço intra-muralhas sofreu reformulações de natureza urbanística, dando origem a novas compartimentações de planta quadrangular/retangular e posteriormente, durante o período romano-republicano (sécs. II-I a. C.) a reformulação das linhas de muralha antecessoras e a construção de uma estrutura defensiva abaluartada de caráter retilíneo, que a partir do 2º quartel do séc. I a.C. será convertido num conjunto arquitetónico de cariz habitacional.
As excelentes condições geoestratégicas, a abundância e proximidade dos recursos alimentares, cinegéticos, agrícolas e naturais potenciaram durante uma longa diacronia de ocupação a fixação humana neste espaço.

Chibanes apresenta fortes afinidades culturais com a vizinha necrópole de hipogeus de Quinta do Anjo, comportando-se igualmente como importante espaço na história da evolução humana deste território, constituindo o que podemos designar como o primeiro castelo de Palmela.
O Castro de Chibanes foi classificado como Sítio de Interesse Público 2011.



Bancos de corais

Os corais são criaturas marinhas, de águas pouco profundas e quentes, que se desenvolvem em grandes comunidades. Aqui aparecem completamente fossilizados (transformados em pedra), partidos, amontoados e misturados com os solos de cobertura. Isto mostra que, estes terrenos, tiveram uma formação subaquática com deposição de diversas camadas de estratos calcários e que, posteriormente, sofreram poderosos movimentos tectónicos (movimentação da crosta terrestre), vindo a formar as elevações. Tudo isto terá acontecido há cerca de 23 a 20 milhões de anos.



Moinhos da serra do Louro

Os dezoito Moinhos existentes na serra do Louro testemunham um dos poucos recursos tecnológicos que as gentes teriam ao seu dispor, até à década de 40 do século XX. Em Palmela, com uma população sobretudo dependente da agricultura, e por isso com fraca capacidade de produção e acumulação, os meios tecnológicos de que se dispunha foram até muito tarde os mais elementares. Os moinhos, movidos pela força, gratuita, do vento, transformarão em farinha o trigo que, até às primeiras décadas do século XX, existe em abundância, sobretudo no vale dos Barris.