Quinta do Anjo | Por terras do queijo, pão e vinho

Aldeia de Quinta do Anjo
Sede de freguesia com o mesmo nome é um importante pólo de desenvolvimento do Concelho de Palmela. Na sua área situa-se um conjunto de empreendimentos industriais de grande dimensão e mantém-se, ao mesmo tempo, uma tradição rural de elevada expressão na produção de vinho, queijo de ovelha (Queijo de Azeitão) e doces regionais.

Aqui ficam alguns locais a visitar.

Centro da aldeia
O Largo da Igreja e da Sociedade de Instrução Musical são o centro social da aldeia, onde decorrem os grandes eventos e festas locais. Na Quinta do Anjo a devoção religiosa é muito grande sendo celebrada ininterruptamente, desde 1756, a Festa de Todos os Santos, a 1 de Novembro, como agradecimento pela salvação da localidade aos estragos do terramoto do ano anterior. A Sociedade de Instrução Musical é um pólo de cultura, de formação musical e cívica desde a sua fundação, em 1921, sendo de salientar a beleza da sua sede em estilo romântico.

Aldeia dos Bacelos
A parte mais antiga da Quinta do Anjo, provavelmente com ocupação desde a pré-história, é composta por núcleos de casas baixas, com pátios onde tradicionalmente se guarda o gado ovino e caprino e onde se situam algumas das queijarias. O seu nome provém da enorme quantidade de vinhas que circundavam as habitações e que, noutros tempos, constituíam a par do pastoreio a única forma de subsistência das populações locais.

Quinta da Fonte do Anjo
Diz a lenda que a fonte existente nesta quinta foi protegida por "um anjo bom armado de espada, portanto S. Miguel", da tentativa de envenenamento pelas forças do mal salvando, assim, as populações que dela viviam. A imagem de pedra e cal que lá existia do anjo armado de espada pisando o dragão esboroou-se em 1985, estando a própria fonte quase seca devido ao abaixamento dos níveis freáticos.
A Quinta do Anjo acabou por dar o nome a toda povoação que se desenvolveu ao seu redor.

Serra do Louro
No alto da Serra do Louro erguem-se os moinhos de vento que, num passado não muito distante, constituíam uma importante indústria de transformação de cereais. A força do vento embate nas velas abertas, fazendo rodar um eixo, que por sua vez transmite a rotação a uma pedra calcária que roda sobre uma outra fixa. Estas pedras, denominadas "mós", recebem entre elas os grãos de cereal, transformando-o em farinha.

Sepulturas coletivas pré-históricas
Um dos mais importantes vestígios da pré-história é um conjunto de quatro grutas artificiais, escavadas na rocha, que serviram de sepulcro coletivo para os povos da região durante cerca de 1000 anos no Período Calcolítico (Idade do Cobre). O morto era colocado – na posição fetal, acompanhado de um conjunto de cerimoniais e oferendas – dentro da sepultura que, pela sua configuração, imitava um ventre materno, simbolizando este ato um voltar à origem da vida e um tributo à fertilidade.


Queijo de Azeitão
É na Quinta do Anjo que se encontra a maior parte dos produtores do queijo de Azeitão. Foi por volta de 1830 que Gaspar Henriques de Paiva, nado e criado na Beira Baixa, veio para Azeitão e passou a dedicar-se à agricultura. Para povoar as suas terras mandou vir ovelhas leiteiras, de lã preta e raça bordaleira. Em todos os anos mandava vir um queijeiro da sua terra natal, só para lhe fabricar queijos do tipo "Serra". Foi esse queijeiro que ensinou os segredos da arte a um dos pastores, que deles não fez segredo. Foi então transmitido a sucessivas gerações de queijeiros artesãos que, desde então, nos têm oferecido um queijo com uma tipicidade ímpar.

Há mais de uma década que se tomaram medidas para proteger a tipicidade deste queijo, surgindo a Região Demarcada do Queijo de Azeitão. A "ARCOLSA" é a entidade que faz o controlo de qualidade dos Queijos de Azeitão e que emite os selos de garantia travando, assim, o aparecimento de produtos falsificados que nada têm a ver com o verdadeiro sabor deste queijo.

Com uma produção artesanal, cuja duração média é de 45 dias, o Queijo de Azeitão chega-nos à mesa com um paladar requintado e único, que nem todos sabem explorar. A melhor maneira de servir o Queijo de Azeitão é cortá-lo de forma transversal em duas metades circulares iguais ou abrir um orifício na parte superior e retirar o queijo amanteigado com uma colher.

Visite uma das queijarias tradicionais da Quinta do Anjo, onde é produzido o famoso queijo de Azeitão. Aqui, poderá conhecer os métodos tradicionais da sua produção, bem como adquirir manteiga de Ovelha, queijo seco ou queijo de Azeitão.

Para além dos sabores e paladares aproveite para deliciar o olhar noutras atrações que a Quinta do Anjo oferece, como a Igreja, as Sepulturas Coletivas pré-históricas e a Serra do Louro com os seus caraterísticos moinhos, entre outros.

Realiza-se anualmente na Quinta do Anjo o Festival do Queijo, Pão e Vinho, uma das melhores montras a nível nacional que reúne a excelência dos produtos regionais.
Se visitar o evento nos seus três dias, poderá provar todo o tipo de queijo – amanteigados ou secos –, a soberba manteiga de ovelha, vinhos e uma grande diversidade de bolos caseiros, num certame que conjuga o esforço de produtores com as entidades da região.


Adegas Típicas
Aproveite também este passeio para adquirir vinhos da Península de Setúbal, com destaque para o Moscatel de Setúbal apenas produzido nesta região. Se está a pensar em enriquecer a sua garrafeira, propomos-lhe uma visita às adegas integradas na Rota dos Vinhos da Península de Setúbal.