Fauna e Flora da Arrábida

A Arrábida possui uma vegetação de extraordinária importância evolutiva e biogeográfica. A sua diversidade botânica prende-se, entre outros fatores, com o relevo acidentado, que proporciona microclimas diferenciados e uma característica peculiar, o chamado efeito de mosaico: pequenas superfícies de cada formação vegetal. As floras marcadamente atlânticas e mediterrânicas encontram-se muitas vezes contíguas e a sua transição verifica-se por vezes bruscamente, ao passar uma linha de alturas ou o limite de formações geológicas edaficamente distintas.

É um Sítio que se destaca, a nível nacional, pelo número de espécies total e pelo número de espécies para as quais é considerado um Sítio muito relevante. Numa área muito reduzida podemos observar situações ecológicas por vezes radicalmente opostas, como é o caso dos endemismos arrabidenses Convolvus fernandesii e Euphorbia pedroi que só ocorrem no mundo nas condições particulares da Arrábida, pertencentes a habitats próximos do desértico, que surgem ao lado de habitats sub-húmidos com plantas também notáveis como o Narcissus calcicola ou o Quercus coccifera (Carrasco) arbóreo.
Existem algumas formações vegetais relíquias em bom estado de conservação.

Encontram-se assim, nas zonas abrigadas da serra, carvalhais dominados pelo Carvalho-cerquinho (Quercus faginea) e um maquis de carrascos, adernos, medronheiros, aroeiras e urzes arbóreas, autênticas relíquias de outros tempos geológicos. No Sítio Arrábida/Espichel verifica-se a única ocorrência nacional do habitat 5320 (Formações baixas de euforbiáceas junto a falésias), matos dominados por Euphorbia pedroii . Os Bosques de zambujeiro e alfarrobeira (habitat 9320) aqui presentes, ocorrem apenas em três sítios revelantes no país, sendo os outros dois Sítios no Algarve. É considerado também um dos Sítios mais relevantes no país para a conservação das espécies da flora dependentes dos calcários e comunidades vegetais sobre “terra rossa”.

São consideradas de valor excecional as matas perenifólias dominadas pelo carrasco (Quercus coccifera) e aderno (Phillyrea latifolia), correntemente apelidadas de maquis mediterrâneo e que constituem a vegetação endémica da Arrábida. Os matos ou maquis e a garrigue são formações de elevado valor botânico, variedade de cores e aromas, sendo algumas das espécies presentes (alecrim, tomilho, rosmaninho, alfazema, pascoínhas, folhado, urze), exemplos representativos da flora aromática mediterrânica.
Em termos florísticos encontram-se inventariados cerca de 1450 taxa, dos quais 90 foram classificados de elevado património genético. Salienta-se as seguintes espécies do Anexo II da Directiva 92/43/CEE: Pseudarrhenatherum pallens, Iberis procumbens subsp. Microcarpa, Euphorbia transtagana, Juncus valvatus,Thymus canphoratus, Thymus carnosus, Armeria rouyana , Ionopsidium acaule, Arabis sadina e Silene longicilia.

No concelho de Palmela podemos destacar os seguintes habitats prioritários:
- os Prados rupícolas calcários ou basófilos da Alysso-Sedion albi nas zonas de relevos;
- os Prados secos seminaturais e fácies arbustivas em susbtrato calcário (Festuco-Brometalia); constitui formações herbáceas secas e fácies arbustivas, ricas em orquídeas e que ocupam áreas reduzidas no PNA ;
- Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypodietea;
- Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior; zona que ocupa áreas extremamente reduzidas no PNA.

Grande parte destas plantas tem as suas sementes dispersas por aves e mamíferos que se alimentam de frutos, pelo que a vegetação é também resultado em parte, da interação entre plantas e animais. A fauna da Arrábida caracteriza-se pela diversidade, estando registadas 213 espécies de vertebrados, entre as quais 8 anfíbios, 16 répteis, 154 aves e 35 mamíferos. Nos mamíferos ainda se pode encontrar a raposa (Vulpes vulpes), o gato-bravo (Felis silvestris), a doninha (Mustela nivalis), o saca-rabos (Herpestes ichneumon), o texugo (Meles meles), o toirão (Mustela putorius), a fuínha (Martes foina), a toupeira (Talpa occidentalis), o mordanho (Suncus etruscus) e o gineto (Genetta genetta).

Algumas das aves que se podem encontrar no PNA são, por exemplo, a Águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus), que tem nesta região o único local de nidificação na costa portuguesa, o Bufo-real (Bubo bubo), o Falcão-peregrino (Falco peregrinus), incluídos no Anexo I da Directiva 79/409/CEE (Aves) e no anexo II da Convenção de Berna, o Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus), o melro-azul (Monticola solitarius), o andorinhão-preto (Apus apus), o guarda-rios (Alcedo atthis) e o abelharuco (Merops apiaster). Espécies da fauna incluídas no Anexo II da Directiva 92/43/CEE: Lontra (Lutra lutra), o Cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa,) Barbastella barbastellus e Euphydryas aurinia.

A Arrábida é também um importante abrigo de criação de quirópteros, onde tem especial relevo a colónia de criação e hibernação do Morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii).
Ao nível dos insetos, já se identificaram cerca de 300 espécies de Lepidópteros, onde avulta a Callimorpha quadripunctata classificada como prioritária, mais de 450 espécies de Coleópteros e cerca de 100 espécies de araneídeos, algumas delas únicas no país.


Produtos de excepcional qualidade

Este Sítio abrange a área “Queijo de Azeitão” – DOP e nos vinhos, a área dos “DOC Setúbal”, “DOC Palmela” e Vinho Regional “Terras do Sado”. O mel produzido na Arrábida é também de qualidade, conferida pela vegetação diversificada. A Maça Riscadinha de Palmela – Denominação de Origem Protegida - terá surgido no lugar de Barris, no século XIX. A partir dos anos 20 do século passado XX, com o corte dos matos, a cultura da vinha em consociação com macieira expandiu-se para a zona do Lau e Algeruz; pertencente à família Rosaceae, género Malus Miller e à espécie Malus doméstica Borkh, beneficia de um microclima na área geográfica onde se desenvolve.